Sexta-feira, 30 de Julho de 2004

Banana Eva

bananaeva001.jpg


Se havia alguma coisa genuinamente criativa em D. Evinha era, sem sombra de dúvida, a sua cozinha. Esmaltes lascados, alumínios socados, cabos partidos, copos riscados de uso e um caos quase total disfarçavam a sua enorme capacidade para transformar qualquer resto de comida num acepipe de fazer babar o mais refinado 'gourmet'.
D. Evinha avançava cozinha dentro, nos seus passinhos de criança distraída, abanando a cabeça como se estivesse descontente com alguma coisa. Revirava os armários e as gavetas, o frigorífico e os frascos, mudando o sítio às coisas uma porção de vezes antes de decidir o que ia fazer.
Foi assim que um dia nos deu a provar uma das suas criações, quando, aparentemente enfadada da nossa conversa, se levantou e desandou para a cozinha, falando consigo própria e deslocando tachos e panelas de um lado para o outro. A única coisa que havia à mão era um cacho de bananas, que descascou e atirou para uma frigideira com um naco de manteiga a derreter.
Encheu-as de canela e açúcar amarelo - D. Evinha acreditava que o açúcar refinado era para servir às visitas que não faziam parte da família -, juntou-lhes cravinho e regou-as com uma generosa dose de conhaque. Largou-lhes fogo e despejou-as, em chamas, na travessa que trouxe para a mesa.
As bananas caíram-nos no prato com requeijão e mel, chá preto forte e leite, biscoitos de azeite e manteiga fresca.
publicado por caloria fatal às 20:20
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De Anónimo a 31 de Julho de 2004 às 00:44
Ai a minha vida... fiquei sem jantar!
Estás bem, Deusa dos sabores Divinais?Pilantra
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(mailto:samartaim@yahoo.com.br)


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