Sexta-feira, 23 de Abril de 2004

Parabéns zenocalóricos

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O meu cenário zenocalórico para o jantar de aniversário da Ana e da Didas: sala de jantar com muitas velas, que atraem os espíritos generosos e deixam memórias gravadas nos nossos olhos para toda a eternidade.
Fora eu, prepararia pratinhos de ovos verdes e espargos para a entrada, para depenicar enquanto se trocam lembranças de vida e raminhos de flores brancas. Vinte e dois anos em conjunto têm milhas de conversa para fazer.
A seguir, para saborear as palavras com outras texturas, um couscous sequinho e amanteigado, com um leve toque de noz moscada, acompanhado de goulash de arenque e azeitonas pretas. Patê de espinafres à ilharga, garrafa de Evel branco suadinha no gelo e, pelo menos, uma hora de degustação preguiçosa.
Chega a vez do doce de iogurte com creme de manga, salpicado com uma pitada de cravinho, a preparar o estômago para o bolo de bolacha pincelado com creme de chocolate negro e topeado de morangos. Asti em múltiplas tacinhas, 'fortune cookies' para abençoar o futuro e café brasileiro ao som das vossas canções preferidas.
Parabéns zenocalóricos!
publicado por caloria fatal às 14:40
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Os grelhados de Ílhavo

coutinho001.jpg
Restaurante Coutinho, Rua da Malhada, São Salvador. Vale a marcação: 234 321 832 (aproveita, Didas...)

A minha memória genérica dos grelhados andava pela era glaciar das febras, do entrecosto torrado e do sinistro peixe espada de pele esfacelada, servidos nas mesas de toalhinhas de plástico aos quadradinhos. Até entrar no Coutinho, junto à rua principal, em Ílhavo.
Digo-vos: há um mistério naquela grelha. Ali à vista de todos, mas misteriosa. Ou será a boa disposição das donas que nos veda o óbvio? É que qualquer migalha nos adoça a boca quando nos chega assim, armada com um sorriso e gosto.
Se calhar é da música ambiente. Gosto que me dêem música.
First things first, como dizem os outros, pois não há nada como sentarmo-nos à mesa e apreciar pormenores que não tivémos o trabalho de pensar nem de preparar.
Então é assim: vem o pão quentinho, em uma ou duas variedades, as azeitonas, os queijos, a salada de polvo, os patês, os mexilhões, o presunto, os aperitivos ou o vinho, bem frio se branco, amornado quando é tinto, daquele de escorregar pela língua e pela garganta como uma guloseima.
A seguir vêm os grelhados: cherne (cinco estrelas), chocos, lulas, dourada, salmão, medalhões de carne, costeletas de vitela ou entrecosto (deste eu gosto, feito ali).
Juntem-lhe puré de castanha, batatas assadas, feijão, salada e migas (ahhhh, eu vivia daquelas migas...).
Se conseguirem ultrapassar estas primeiras hostilidades, as sobremesas rematam em beleza. Bolinho de chocolate? Mousse? Baba de camelo com chantilly? Há mais, mas uma saladinha de fruta também vem a calhar. E o café é excelente, forte, cheiroso.
Será que me esqueci do uísque velho e da amêndoa amarga? Esta, se for com um golpezinho de cinzano e muito geladinha, fica a meu gosto.
Quereis mais? Está bem, eu confesso: vou lá e fico três dias a viver da memória das coisas boas...
publicado por caloria fatal às 03:54
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2004

Mimo de mandioca

mandioca005-copy.jpg

Lá atrás, onde nasci, mandioca era comida de pobre. Até entrar na gastronomia primeiro-mundista como uma gulodice exótica. Assim promovida, a farinha ganhou direito a fritura, para acrescentar textura a feijoadas e outras iguarias. Enriquecida com leite, ovos, açúcar e frutos secos, ganhou comenda de sobremesa. Cortada em nacos, palitos ou rodelas, faz as vezes das frites com sotaque. Mas lá atrás, onde nasci e onde sempre foi sinal de abastança, comida de pobre era a folha verdinha, que também se transformava em prato de resistência.
Lá de trás, onde nasci, trouxe a memória dessas folhas e do cheirinho que subia dos potes de barro ou das latas de azeite recicladas em trem de cozinha por cima do lume. E não resisto a uma lata de folha de mandioca encontrada por acaso na prateleira de um qualquer continente ou jumbo. Ainda tinha uma à mão no outro dia e preparei-as para um jantar com convivas especiais.
Cebola e alho picados e alourados em óleo de palma na frigideira, misturam-se as folhas escorridas durante um bocado para ganhar sabor. Salga-se ligeiramente, não muito que o sabor é amargo, sobretudo para quem não se familiariza às primeiras com as pequenas estranhezas do exotismo.
Mistura-se sumo de uma laranja grande, acrescenta-se coco ralado e deixa-se cozinhar em lume brando uma dúzia de minutos.
É delicioso como entrada, com paparis ou bolachas salgadas, e como acompanhamento. O sumo de laranja também se pode substituir por iogurte, leite ou natas. Com umas rodelas de banana fica divino.
(Esta é para vós, gente especial de Aveiro, em modesta forma de retribuição dos incríveis grelhados de carne e peixe que aí me caem no prato como vindos dos céus.)
publicado por caloria fatal às 02:14
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Sábado, 17 de Abril de 2004

My perfect day

perfectday006.jpg

A perfeição trabalha-se, amorosamente, como a melhor das receitas. O meu dia perfeito é, assim, cheio de ingredientes exactos, insubstituíveis, seguidos com toda a atenção:
Uma boa espreguiçadela antes de abandonar os lençóis, duche e roupa casual.
Copo de sumo de laranja fresco, passeio matinal pela praia com o cachorro, regresso com passagem pelo quiosque dos jornais. Pequeno-almoço na varanda, de olhos postos no mar: café forte, torradas, doce e queijo fresco. Demorado, para acompanhar a leitura.
Manhã passada entre o computador e os papéis, almoço ligeiro de salada, caldo de legumes e fruta. Saída para as compras e as obrigações, intervalo para o chá e scones com manteiga e mel.
Fim de tarde a trabalhar com a garrafa de água ao lado, jantar de soufflé de peixe e salada de agriões e alface, repouso frente à televisão com um bom filme, telefones desligados a partir das dez da noite.
Antes de dormir, café e biscoitos de maçã e canela ao computador.
For these are some of my favourite things.
publicado por caloria fatal às 04:53
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Terça-feira, 13 de Abril de 2004

Um tudo nada tudo

Imaginem a pessoa dos vossos sonhos. Aquela que nunca deixará de vos preencher o coração. Que vos provoca um sobressalto de cada vez que olha na vossa direção. Que vos dá um nó no estômago sempre que a ouvem.

BERRIES-copy111.jpg

Imaginem que vos atiravam para uma gigantesca e tenebrosa cozinha, com fogão de lenha, micro-ondas, máquina de gelo, cestas de fruta, etc., etc., etc.
E vos deixavam lá com um ultimato: só sair depois de traduzir em pratos, sabores, aromas e decorações a pessoa eleita pelo vosso coração...

De vós não sei, mas eu puxaria um cigarro e conceder-me-ia uma boa meia hora para olhar em volta e descobrir, no material posto à minha disposição, todo e qualquer pormenor que me fizesse lembrar a figura amada.
Só depois meteria mãos à obra, com toda a calma, levando todo o tempo que fosse preciso para levar a bom porto a minha missão.

Vejamos então:

Em que mesa em que gostaria de servir o meu amor? Redonda, sem dúvida, para que nenhuma esquina perturbasse a gentileza do seu conforto. Coberta com toalha azul forte por baixo de rendas finas de bilros, algumas pétalas amarelo pálido, velas de cera natural em dois conjuntos de números ímpares. Serviço Limoges azul e branco, clássico, talher de prata e taças de cristal.
Como entrada, fatias de laranja flambé, tirinhas de presunto e endívias com queijo de nozes, regada com cinzano branco e fresco, servido em taça larga com uma azeitona de generoso porte. Alcachofras ao molho de mostarda com uma pitada de pimenta logo a seguir.
Creme de espargos com três cubinhos de pão torrado e vinho branco do Douro, bem gelado.
Filetes grelhados de tamboril, regados com molho de manteiga e limão, salsa, cenoura ralada e rabanetes à ilharga.
Mudança de vinho: tinto Esporão com bouquet de tarde quente na planície.
Tornedó au poivre, com dois dedos de altura e levemente rosado por dentro, puré de maçã e tomates levemente grelhados, recheados de pesto e natas.
Um bom cigarro para saborear o resto do vinho e preparar o palato para a sobremesa: leite creme com framboesas, café aromático e leve da América do Sul; morangos e kiwis para disfrutar com um dedal de Madeira aquecido.

Tudo isto, claro, num terraço de pedra coberto de hera, com as estrelas por cima e os cheiros fortes de um jardim por companhia...


publicado por caloria fatal às 00:12
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Sexta-feira, 9 de Abril de 2004

Cheira-me a panquecas

panquecas001.jpg

Cheira-me a panquecas e hoje, assim como que por acaso, apetecem-me panquecas. Das que se enrolam na boca, fofinhas, doces e mais e mais deliciosas a cada dentada que se dá. Hummm...
Que panquecas hoje? À americana, altas e bem tostadas dos dois lados; maiores, com mais ovos e manteiga; simples, com a massa feita a olho para escolher melhor os sabores a realçar?
O que interessa é o cheirinho delas, a fumegar no prato, com o café forte ao lado e todos os recheios indispensáveis: xarope de bordo, doce de morango ou framboesa, mel, açúcar, canela, manteiga, creme de chocolate ou de baunilha, natas batidas em casa, compota de laranja ou de chila, queijo, banana, morangos ou kiwis.
Um conselho: provam-se primeiro dois ou três sabores de cada vez. Depois experimentam-se todos juntos. Fazer uma pilha de panquecas com sabores diferentes também resulta.
E o café, bem quente e forte, a acompanhar, um bom livro ou banda desenhada.
Hoje é, definitivamente, dia de panquecas.
Troco receitas.
publicado por caloria fatal às 14:12
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